Home > DIA-A-DIA > MINHAS VACAS NÃO EMPRENHAM! QUEM É O CULPADO?

MINHAS VACAS NÃO EMPRENHAM! QUEM É O CULPADO?

A demora para emprenhar as vacas aptas é um problema sério e muito frequente em muitas propriedades leiteiras, pois resulta em prejuízos financeiros que pode até inviabilizar a atividade. Para maior lucratividade do sistema de produção, a vaca precisa parir anualmente ou o mais próximo disso.

Minhas vacas não emprenham! Quem é o culpado?

A primeira resposta em propriedades que usam IA – inseminação artificial é: a culpa é do sêmen! Em propriedades que usam a monta natural, a culpa é do touro e para aquelas que usam IATF (inseminação artificial em tempo fixo) a culpa é do protocolo, do implante, do hormônio, do veterinário e por ai vai. E tem também a culpa do inseminador, um culpado fácil, quando o resultado não é positivo.  Sempre queremos achar um culpado. Mas as causas deste enorme problema que gera prejuízos e descarte de animais são inúmeros. Confira!

DOENÇAS REPRODUTIVAS

A BRUCELOSE, a NEOSPOROSE (doença transmitida por contato com fezes de cães), a  IBR- Rinotraqueite Infecciosa Bovina,  BVD – Diarreia Viral Bovina, a LEPTOSPIROSE e a CAMPILOBACTERIOSE GENITAL BOVINA  (transmitida pelo coito, por touros infectados) são exemplos de doenças reprodutivas que derrubam drasticamente os números e índices reprodutivos nos rebanhos bovinos tanto de leite quanto de corte.

Os prejuízos causados por essas doenças podem ser calculados em tempo e dinheiro.  Nas vacas de leite esta falha irá refletir no DEL (Dias Em Lactação),  pois quando a vaca não emprenha aumenta a quantidade de tempo de serviço, esta janela entre um parto e outro aumenta e, consequentemente, a produção total de leite diminui pelo longo período de lactação. Já nas vacas de corte o prejuízo se deve ao aumento do intervalo entre partos, ou seja, a fêmea deixa de produzir um bezerro por ano, e quanto mais essa fêmea demorar para emprenhar  após o parto, maior é o intervalo entre partos e maiores são os prejuízos.

Podemos notar que os sintomas das doenças reprodutivas são basicamente os mesmos: repetição de cio, morte embrionária, fetos mumificados, aborto e nascimentos de terneiros(as) fracos(as) e inviáveis. Assim, pela simples observação dos sintomas é impossível determinar qual das doenças esta afetando o rebanho e somente através de exame laboratorial podemos saber qual delas é a responsável pelos prejuízos.

A maioria dessas doenças é controlada por meio de vacinações periódicas do rebanho.

Assim, o acompanhamento veterinário e a manutenção do calendário de vacinação em dia são imprescindíveis para uma boa eficiência reprodutiva no rebanho.

ESTRESSE TÉRMICO

O estresse térmico é um dos fatores de maior impacto econômico na eficiência do rebanho, tendo efeitos negativos tanto na produção quanto na reprodução de vacas leiteiras.

Estresse térmico ou calórico é o desequilíbrio que ocorre no organismo do animal como resposta às condições ambientais desfavoráveis tais como a elevada temperatura, alta radiação solar e alta umidade relativa do ar. Estas, juntamente com a alta produção de calor metabólico, resultam em um estoque de calor corpóreo excedente, ou seja, o animal recebe uma grande quantia de calor do ambiente que aliada ao calor produzido pelo seu metabolismo, são maiores do que a quantidade de calor que o animal consegue eliminar.

Quanto aos bovinos, o conforto térmico está na faixa entre -13ºC e +25ºC, sendo que assim a temperatura corporal estabiliza entre 38.4ºC a 39.1ºC. Em temperaturas a partir de 26ºC as vacas já sofrem com o estresse calórico. Portanto, a recomendação é que os animais permaneçam em ambiente com temperaturas entre 4º e 24ºC e com umidade relativa do ar menor que 75%.

Quando a temperatura aumenta acima de 26°C já ocorre uma redução do consumo de alimento e da produção de leite. A fertilidade do rebanho também passa a ser afetada. Com temperaturas em torno de 32°C e a umidade relativa do ar acima de 60% – condições comuns em várias partes do Brasil, a queda na produção de leite pode chegar a 30% e a taxa de concepção fica seriamente comprometida.

Algumas medidas que podem diminuir o estresse do animal pelo calor são:

– sombreamento adequado para os animais;

– disponibilidade de água limpa e fresca suficiente para os animais beberem, principalmente após a ordenha e nas horas mais quentes do dia;

– para animais confinados  adequado sistema de resfriamento com ventiladores e aspersores, permanecendo ligados nas horas mais quentes do dia;

– reduzir distâncias de deslocamento do animal.

ALIMENTAÇÃO

A reprodução eficiente de um rebanho é totalmente dependente de um manejo nutricional adequado

Fatores relacionados à alimentação, como subnutrição e superalimentação, podem estar relacionados à baixa fertilidade das vacas. Para que se reproduza adequadamente, a fêmea bovina precisa receber uma dieta balanceada capaz de suprir suas necessidades em energia, proteína, vitaminas e minerais.

A subnutrição é um dos principais fatores do baixo desempenho reprodutivo dos rebanhos bovinos no Brasil. Deficiência alimentar severa ou prolongada traz como consequência o anestro, ou seja, a ausência do ciclo estral e do estro (cio). Os ovários, neste caso, estão pequenos e inativos, o que pode ocorrer mais rapidamente quando a má alimentação está associada à enfermidades crônicas e/ou elevada produção de leite.

A inatividade do ovário é reversível, desde que a causa seja eliminada; ocorre mais frequentemente com vacas recém-paridas e em estado de subnutrição, com perda acentuada de peso no pós-parto. Nessas condições, ocorre atraso no reinício da atividade ovariana e no restabelecimento do ciclo estral; consequentemente o período de serviço e o intervalo de parto são alongados. Em novilhas, a subnutrição atrasa a puberdade, ocasionando uma elevada idade ao primeiro parto.

Bem como a superalimentação também pode ocasionar problemas na fertilidade do rebanho. O alto consumo de ração energética, por exemplo, pode conduzir o animal a um estado de obesidade, capaz de afetar a função reprodutiva. A infiltração gordurosa nos órgãos genitais pode levar a um menor desenvolvimento dos folículos ovarianos, dificultar a captação dos óvulos nas tubas uterinas ou prejudicar a implantação do embrião no útero.

No caso de novilhas que são consideradas as mais férteis do rebanho. É necessário aguardar a maturidade sexual para obter boas taxas de gestação em novilhas. As taxas de concepção de novilhas inseminadas a partir do terceiro cio são maiores que no primeiro e no segundo cio.

Em rebanhos leiteiros, é importante considerar que elevado ganho de peso no período de recria pode comprometer a futura produção de leite do animal, em decorrência do acúmulo de gordura na glândula mamária, impedindo o desenvolvimento do tecido secretor. Novilhas de raças grandes, como a Holandesa, não devem ganhar mais que 800 g/dia na fase de recria, e nas raças pequenas, como a Jersey, este valor não deve ser superior a 600 g/dia. Bem como inseminar ou acasalar novilhas com baixo peso pode comprometer as altas taxas de concepção esperadas para essa categoria.

DETECÇÃO DO CIO

Agora podemos passar para outro culpado: ERRO NA DETECÇÃO DO CIO.  O erro na observação visual do cio, pelo inseminador/produtor, e o mau manuseio do sêmen são a causa de 70% a 80% dos casos de insucesso na fertilização das vacas.

A detecção incorreta do cio resulta em inseminação de vacas que não estão em cio ou inseminação em momento inadequado para a concepção. Estudos relatam que quando a ovulação ocorre 48 horas após a inseminação apenas 15% das vacas concebem, e quando ocorre até 24 horas após, 52% das vacas concebem.

Para aumentar a eficiência da detecção do cio é importante conhecer bem as características de cio das vacas leiteiras, para que haja a identificação correta. O segredo para uma boa identificação é a observação, um processo que exige paciência e atenção.

O melhor indicador de que a vaca está no cio é quando ela fica parada e aceita monta. Outros sinais que identificam o cio são:

– Animais agitados, mugindo ou lambendo e cheirando outros animais do rebanho leiteiro.

– Realizam tentativas de monta em outros animais que podem ou não estar no cio.

– Perda de pelos próximos da cauda.

– Presença de muco na vulva ou muco seco grudado no períneo e cauda.

– Vulva avermelhada e inchada.

– No dia do cio pode haver queda na produção de leite e diminuição do apetite.

Quando inseminar?

O momento ideal de inseminar é no final do cio, quando a probabilidade de fecundação é maior devido à alta fertilidade da vaca.

Um método prático e com ótimos resultados é:

– Vacas em cio pela manhã deverão ser inseminadas na tarde do mesmo dia;

– Vacas observadas em cio a tarde deverão ser inseminadas no início da manhã seguinte.

O INSEMINADOR

O inseminador é diretamente responsável pelos resultados das taxas de serviço e concepção. Entre suas funções, podemos citar a observação diária de cio, a execução correta de todas as etapas da técnica de IA, a inseminação propriamente dita no momento mais adequado, a correta introdução do sêmen dentro do   corpo uterino da vaca, além de outros cuidados com a higiene pessoal, com os materiais e com a dos animais. A conscientização desses profissionais sobre a importância das suas funções é fundamental para aumentar a taxa de prenhes.

O SÊMEN

O sêmen é responsável por 50% do sucesso de uma gestação, e muitas vezes sua qualidade é negligenciada. Nas propriedades que adotam a inseminação artificial, as doses de sêmen devem ser provenientes de centrais idôneas e devem apresentar os resultados de testes de fertilidade. A manipulação do botijão de sêmen deve ser feita por pessoas treinadas, as quais devem evitar a exposição das palhetas à temperatura ambiente, além de verificar periodicamente o nível de nitrogênio líquido para conservação adequada do sêmen. Recomenda-se o descongelamento das palhetas de sêmen em água aquecida entre 35 a 37°C, durante 30 segundos. Outras formas de descongelamento prejudicam a estrutura dos espermatozoides e comprometem a fertilidade do sêmen.

CONCLUSÃO

Como vimos às causas que levam uma vaca a não emprenhar são inúmeros. A alimentação, a sanidade e o clima apresentam, portanto, grande importância na fertilidade dos rebanhos bovinos tanto de corte quanto de leite.

Baseado nos pontos apresentados o produtor deve identificar, avaliar e solucionar o fator ou os fatores, já que pode ocorrer a combinação deles,  que afetam o desempenho reprodutivo das suas vacas e a partir dai junto com acompanhamento técnico desenvolver estratégias para aumentar a eficiência reprodutiva do seu rebanho.

As estratégias a serem adotadas para melhorar esse desempenho devem ser analisadas caso a caso. Fatores de manejo como a eficácia na detecção de cio permitem determinar as estratégias mais lucrativas para cada rebanho. A IATF se torna uma alternativa quando a detecção de cio é baixa, porém quando a detecção é alta essa alternativa pode não ser a mais lucrativa. Sendo assim, a adoção de protocolos hormonais tem sido recomendada para melhorar a eficiência reprodutiva somente em rebanhos com taxa de observação de cio inferior a 50%. Em todos os casos, recomenda-se fazer uma avaliação prévia à implantação da IATF, para verificar se o mais viável seria solucionar os problemas que estão reduzindo a eficiência reprodutiva da propriedade, como o estresse calórico, os problemas de casco, a baixa condição corporal, etc.. Quando o objetivo é o melhoramento genético o uso da IA-Inseminação Artificial é imprescindível, visto que com a utilização de sêmens de touros com prova genealógica é possível melhorar a genética das gerações futuras em características desejadas, entre elas as reprodutivas.

Além de estratégias reprodutivas é igualmente importante trabalhar no manejo nutricional, na saúde do rebanho, em instalações e conforto térmico, principalmente no período logo após o parto. Medidas que reduzam o estresse calórico, aumentando o consumo alimentar e reduzindo a ocorrência de doenças nesse período permitem melhorar o desempenho reprodutivo e produtivo.

Fatores estressantes, como temperatura ambiental elevada, alta lotação de animais por área e oferta reduzida de água e alimentos, são extremamente prejudiciais para o estabelecimento inicial da gestação. Todos esses fatores contribuem para o quadro de estresse calórico, levando à elevada incidência de mortalidade embrionária precoce.

Resumindo: Uma a ação conjunta do produtor, dos inseminadores e do veterinário responsável pelo acompanhamento reprodutivo é essencial para obter sucesso na adoção de estratégias para melhorar o desempenho reprodutivo do rebanho. Quanto maior a taxa de prenhez, maior o número de vacas gestantes no terço inicial da lactação, menor o número de dias improdutivos e menor a chance de descartar vacas vazias e secas. Consequentemente, maior a lucratividade para o Produtor.

Fonte: Adaptação do texto do médico veterinário Henrique Rocha.


Para conhecer as melhores soluções em MELHORAMENTO GENÉTICO. CLIQUE AQUI!


 

Gostou? Compartilhe:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mensagem via WhatsApp
ENVIAR